Carne Vermelha: Quanto devemos comer?

Com o avanço das dietas vegetarianas e veganas, aumentam as perguntas sobre qual a quantidade de carne vermelha recomendada.

* Veja nosso vídeo sobre o tema ao fim desse post!

** Não comentamos aqui sobre carne branca: de acordo com os pedidos, podemos focar neste tema num outro momento.

Quanto de carne vermelha devemos consumir?

Sem mais delongas: no máximo 70 gramas por dia ou 500 gramas por semana, de carne vermelha não processada. (Devemos preferencialmente não consumir carne processada.)

Mas vamos entender melhor sobre isso?

Antes de mais nada quero lembrar que estamos avaliando aqui apenas o lado médico direto deste consumo. As questões ambientais, de maus tratos a animais, do poder e influência do “lobby da carne”, o uso de antibióticos na produção de carne não estão sendo avaliados aqui. Estes são pontos muito importantes, e que tem de ser avaliados individualmente em conjunto com as informações que trazemos aqui, mas não foram o foco da nossa pesquisa.

Nosso foco busca trazer informações simples e diretas para que aqueles com grande consumo de carne vermelha repensem seus hábitos, independentemente de sua visão política, ambiental ou social.

Vamos começar pela seguinte pergunta: Existe vantagem em consumir carne? Sim, existe. Ela é uma fonte muito boa, com fácil absorção de diversos nutrientes, como ferro, proteínas, zinco, vitaminas do grupo B, vitamina D, vitamina A, potássio e magnésio.

Por esta razão, apesar destes nutrientes estarem disponíveis em outros alimentos, a nível populacional, ainda não se recomenda a exclusão completa do consumo de carne vermelha, em especial para crianças e gestantes. (muitas pessoas no Brasil e ao redor do mundo ainda não tem a ingesta adequada destes nutrientes e retirar a indicação de consumo de carne poderia piorar estas carências)

Ainda assim, existe a indicação de controle de seu consumo, pois apesar destes bons nutrientes, existem grandes fatores de risco associados a este alimento.

O maior deles? Câncer de intestino. Diversos estudos associam alto consumo de carne vermelha com aumento deste tipo de câncer. Além disso, há aumento dos riscos cardiovasculares ( infarto, AVC – o “derrame” – , tromboses) e aumento da mortalidade geral (independente da causa, diversos estudos indicaram que pessoas com alto consumo de carne tendem a morrer mais cedo do que aqueles com consumo reduzido, ou vegetarianas, ou veganas) – estes riscos são controlados com a redução do consumo de carne.

“Mas doutor! Eu nunca vou conseguir chegar nas 70g por dia! Esses valores são muito baixos! Se eu pedir um prato de bife no restaurante eu já passo disso! O hambúrguer que eu gosto tem 180g de carne! “

Por isso a recomendação semanal. Você ainda poderia consumir estes alimentos, desde que compensasse nos outros dias, ficando sem consumir carne vermelha por algumas refeições.

Um ponto muito importante a ser ressaltado é que aqui estamos comentando sobre carne vermelha não processada. Esta pode ser consumida neste limite de até 500g por semana. Já as processadas (bacon, linguiça, salsicha, rosbife, carne seca, calabresa, carnes defumadas… – aquelas que passaram por modificações significativas até o consumo) devem preferencialmente não ser consumidas. Por mais que não seja falado em proibição da ingesta, não foi identificado um valor seguro para o consumo destas, que aumentam mais significativamente os riscos relatados acima e, em seu processo de preparo, tem grandes mudanças em sua composição, alterando teores como sódio, gorduras e outros componentes químicos.

É possível que aos poucos, novos estudos indiquem uma redução maior destes valores, e que possivelmente haja a indicação geral de não se consumir carne, mas ainda não chegamos neste ponto. Você pode, sim, ter uma dieta vegetariana ou mesmo vegana balanceada, mas é importantíssimo que você esteja realizando acompanhamento nutricional e médico para confirmar como está o seu organismo e certificar-se de não estar deixando de ingerir nutrientes importantes – ser vegetariano não é apenas não consumir carne, e sobreviver à base de arroz, batata e azeitonas (como chegou a pensar um dos meus pacientes mais jovens). É necessário caprichar numa alimentação variada, com foco especial em controle de ferro, vitaminas do grupo B e vitamina D.

Ficou claro? Se tiver mais dúvidas, manda pra gente, seja aqui nos comentários, no nosso Facebook, Youtube ou Instagram.

Eu vejo vocês na próxima, no Doutor Informação.
Porque conhecimento é o melhor remédio.

Doutor Informação

Dr. Felipe Valente
Médico de família e comunidade

Viu o nosso vídeo sobre o tema? Assista aqui!

Saiba mais:

https://www.nhs.uk/live-well/eat-well/meat-nutrition/ – NHS, Serviço Nacional de Saúde do Reino Unido, recomendando consumo de 70g de carne vermelha ao dia, principalmente pelo risco de câncer de intestino.
https://www.health.harvard.edu/healthy-eating/ask-the-doctor-how-much-meat-can-you-eat – Harvard recomenda 50 a 100g por dia.

https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/26780279 – Estudo de 2015 relatando risco cardiovascular, de câncer de intestino e de aumento de mortalidade geral com consumo aumentado de carne. Relata ainda que existem outros fatores que podem estar influenciando, mas que há base para a recomendação de controle do consumo.
https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/27597529 – Journal of Internal Medicine Comenta sobre os riscos, especialmente de carne processada, mantendo recomendação de consumo moderado.
https://www.cambridge.org/core/journals/proceedings-of-the-nutrition-society/article/role-of-red-meat-in-the-diet-nutrition-and-health-benefits/7EE0FE146D674BB59D882BEA17461F1B/core-reader – Estudo relatando os benefícios da carne, especialmente para crianças e mulheres grávidas, pela biodisponibilidade de proteínas e outros nutrientes, como ferro, vitamina A, D e do grupo B. Mantém pórem a indicação de controle, em concordância com o consumo de 70g/dia e evitar carnes processadas.

https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/25941850 – Estudo de 2015 relatando existir diversos outros fatores envolvidos no risco de câncer coloretal, sugerindo cautela ao utilizar estudos anteriores que indicam riscos exagerados com consumo de carne vermelha.

https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/18444144​ – Estudo de 2008 relatando riscos sobre carne processada, maiores do que quando comparados com carne vermelha fresca.

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